general

Associa–se à IRN

Carreiras e Estágios

Envolva–se!

Listas para Noticias

Livros, Vídeos e Publicações

Sobre IRN

Sobre Rios e Barragens

américa latina

 
 

Bacia do Paraguai–Paraná

Hidrelétricas no Brasil

IIRSA

Os Rios da Amazônia

outras línguas

lista enviando

Coloca seu endereço de correio eletrônico para assinar nossa lista da "Latin America".

contato

1847 Berkeley Way

Berkeley, CA 94703

United States

Tel:

+1 510-848-1155

Fax:

+1 510-848-1008

E–mail:

 

Campanha na América Latina

Barragens construídas para gerar energia elétrica, barragens para irrigação, barragens para o desenvolvimento.

English :: Español

Barragens enormes se tornaram verdadeiros monumentos de militares déspotas que tomaram o poder na América Latina nas décadas de 60, 70 e 80. Represas famosas como Itaipú, Guri, Tucurui e Yacyretá tornaram–se peças centrais de planos ambiciosos de expansão da mineração e da industrialização. A energia elétrica gerada pelas usinas instaladas nessas barragens acenderam as lâmpadas das superpovoadas favelas ao redor de Assunção, no Paraguai, e de São Paulo, no Brasil, onde se refugiam as vítimas de guerras rurais. São famílias expulsas das terras inundadas pelas águas represadas pelas barragens que se juntaram às famílias em luta por reforma agrária e pelo acesso a um pedaço de terra.

Muitos rios foram sufocados por esses projetos e se tornaram meras passagens para lagos mortos. Mas, contanto que os dólares continuassem a circular livremente em seus cofres, os regimes militares estavam contentes. No mesmo período, a dívida da América Latina com os bancos estrangeiros crescia em índices vertiginosos.

Enquanto o Banco Mundial fazia vista grossa, políticos desonestos traficaram milhões de dólares em aço e cimento fantasmas para a construção dessas obras e se fortaleciam para se tornarem senadores e presidentes. A Barragem Yacyretá, por exemplo, gerou uma dívida de US$ 10 bilhões. A de Itaipú, US$ 20 bilhões. Pelo menos 40% da enorme dívida externa brasileira foram acumulados por investimentos feitos no setor elétrico. Os ditadores provavelmente sabiam que não estariam no poder quando as dívidas começassem a ser cobradas.

Milhões de pessoas foram removidas à força de suas casas quando suas terras foram inundadas. Privadas de sua subsistência, com suprimentos alimentares esgotados e a água potável agora poluída, essas populações predominantemente rurais foram empurradas mais ainda para o caminho da pobreza através das chamadas "locomotivas do desenvolvimento", como eram conhecidas as grandes obras de infra–estrutura. Imagens chocantes das regiões atingidas formam um sinistro álbum do apogeu da construção das barragens: macacos gritando enquanto as águas subiam, milhões de hectares de florestas tropicais e outros ecossistemas críticos afogando–se em águas estagnadas e cheias de espuma fétida, famílias indígenas sendo retiradas de suas comunidades ancestrais em direção a deploráveis campos de reassentamento, peixes flutuando de barriga para cima, nuvens de mosquitos – e homens armados para impedir que os oponentes do projeto tomassem as ruas em protesto.

As divergências foram brutalmente esmagadas em incidentes abafados. Na Guatemala, os opositores da construção da Barragem Chixoy foram assassinados. No Paraguai, a polícia espancou posseiros que construíram cabanas provisórias às margens do reservatório de Yacyretá. Na Colômbia, a opressão continua até hoje e líderes indígenas estão sendo seqüestrados y assassinados.

Agora, com o término da construção das barragens iniciadas nos anos 80, após anos de atraso e bilhões de dólares acima dos custos previstos, os empreiteiros dizem que aprenderam com seus erros – reconhecem a importância de estudos nunca antes feitos, a existência de planos de reassentamento não concluídos e as conseqüências de reservatórios mal planejados. Ainda assim, grandes represas continuam sendo a manifestação mais visível da força política e econômica em uma região onde políticos ganham votos baseados na escala das obras que "eles" constroem. Grandes barragens continuam a ser promovidas, planejadas e construídas na região.

Os planejadores do setor continuam a apresentar o fantasma de uma crise de energia e o risco de blecautes, como justificativa para o retorno da era das grandes barragens. Agora, eles têm na mira sistemas ribeirinhos ainda intocados, a milhares de quilômetros de distância de centros habitados, que serviriam como os próximos locais a serem sacrificados com a instalação de barragens.

Mas o debate vem se ampliando. Pescadores e grupos indígenas que se opuseram às barragens anteriormente estão agora recebendo o apoio dos moradores de centros urbanos, finalmente conscientes de sua dependência de rios limpos e saudáveis. Grupos de cidadania estão conseguindo sofisticação técnica para desafiar a afirmação de que as represas promovem desenvolvimento social e econômico.

Muitas das futuras brigas relacionadas à construção de represas envolvem ecossistemas frágeis, reconhecidos mundialmente pela sua importância intrínseca. Tais questões atingem povos indígenas agora conscientes de seus direitos, bem como outras populações tradicionais decididas a não se mudar das terras ocupadas durante séculos por seus ancestrais.

As lutas contra a construção de barragens trarão alternativas a projetos polêmicos, bem como informação capaz de se transformar no início de um novo futuro para a energia elétrica na América Latina.

informações mais recentes

Declaração de Fortaleza

Veja a declaração do Encontro Latinoamericano pela Nova Cultura da Água.

dezembro de 2005

 

A Declaração de Chixoy

Veja a declaração do Encontro da Rede Latinoamericana contra Barragens, Guatemala

outubro de 2005

 
Informação Adicional

Glenn Switkes, Latin America Campaigns Director

International Rivers Network

E–mail: glenns@superig.com.br

Phone: +55 11 3822 4157