Rede Latino-americana contra as barragens e pelos rios, suas comunidades e a água.
Colônia El Naranjo. Cubulco. Baja Verapaz. Guatemala
Desde as terras de Chixoy, rio que em suas águas leva o sangue de 444
camponeses, povos originários, indígenas, mulheres, jovens, crianças e
velhos guatemaltecos que resistiram à construção da barragem e foram
massacrados em 1982 pelo aparato repressivo militar; 418 representantes
de povos indígenas e negros, de mulheres, organizações sociais,
ambientalistas, religiosas, camponesas, de direitos humanos,
sindicalistas, universidades e meios de comunicação alternativos de 14
países da América Latina e convidados de seis países da América do
Norte, Europa e Japão; solidarizam-se com os irmãos do continente
americano que sofrem a exclusão e os danos dos últimos furacões, mostra
clara de mudança climática global, que as grandes barragens contribuem
e cujos responsáveis principais são os países ‘desenvolvidos’.
Considerando que a insaciável acumulação de riqueza do sistema
capitalista e equivocados modelos de desenvolvimento têm levado a deter
o sangue e as veias de nosso planeta represando 60% de seus rios.
Resultado disso são mais de 80 milhões de atingidos, milhares de mortos
e destruição de ecossistemas únicos com a construção de 45 mil
barragens no mundo. As Instituições Financeiras Internacionais e as
grandes corporações transnacionais têm enriquecido as custas do
empobrecimento e exclusão de milhões de pessoas, gerando impactos
ambientais irreversíveis que tem repercutido inclusive na mudança
climática. Atualmente, esta situação se aprofundará com o Acordo de
Livre Comercio das Américas (ALCA) e Tratados Bilaterais de Livre
Comercio, os processos de privatização dos serviços públicos e os
planos de integração regionais como o Plano Puebla-Panamá (PPP) e a
Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sul americana
(IIRSA).
DECLARAM:
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Apoiar a denúncia contra o Governo da
Guatemala ante a Corte Interamericana de Justiça por sua cumplicidade
com o silêncio e a falta de esclarecimento ante as torturas e
assassinatos brutais acontecido em 1982, de povosque reclamavam seus direitos, assim como a ausência de reparos por danos causados pela barragem.
-
Promover que os países da América Latina firmem um Convênio que descriminalize as lutas sociais e ambientais que se acontecem.
-
Unificar a reclamação da dívida ecológica e social acumulada que devem
aos povos da América Latina, as Instituições Financeiras
Internacionais, os governos nacionais e as empresas que se beneficiaram
com a construção barragens.
-
Reafirmar a vontade de fortalecer as
organizações locais, regionais e internacionais de povos atingidos pela
construção de barragens para que sejam protagonistas de sua própria
historia.
-
Fortalecer as alianças entre diversos
setores buscando a formação de frentes amplas contra as grandes
barragens em todos os países da América Latina, reafirmando o valor da
presença de amplos setores das Igrejas de diferentes credos, as
cosmovisões dos povos indígenas, autoridades locais, meios de
comunicação alternativos, mulheres e jovens nas lutas sociais.
-
Fortalecer a luta que se iniciou em muitos
de nossos países, contra a privatização da energia e da água, que
beneficiaria as empresas multinacionais.
-
Manter as campanhas de denúncia e pressão
ao Grupo do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento
por sua responsabilidade no financiamento de projetos destrutivos.
-
Fortalecer e promover ações contra as
Instituições Financeiras, empresas transnacionais como ENDESA, UNION
FENOSA, SUEZ, VIVENDI e contra os governos que defendem seus
interesses, para que busquem a Justiça Ambiental em todos os
megaprojetos hidroelétricos em operação ou em construção.
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Fazer respeitar a vontade dos povos da
Costa Rica, Guatemala e Argentina que se manifestam mediante plebiscito
contrários a construção das hidroelétricas de Paquare, Rio Hondo e
Corpus Christi.
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Apoiar as diferentes ações legais contra
os danos ocasionados pelas barragens, promovidas por povos do Paraguai,
Guatemala, Brasil e todos os países da América Latina ante instâncias
nacionais e internacionais como a Corte Interamericana de Justiça.
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Reconhecer os êxitos no Chile e a
liberdade a seus rios de cinco barragens, ao Equador de duas barragens,
no Panamá de sete barragens, na Argentina a Lei que declara território
livre de barragens a província de Entre Rios, a Costa Rica de cinco
barragens no rio Paquare, a suspensão da barragem de Itzantun e a atual
luta contra a presa La Parota no México que é esperança de outro rio e
povos livres, a liberdade do Paraguai de leis de privatização e a
detenção da privatização da água em El Salvador e Nicarágua.
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Reafirmar o 14 de março como Dia
Internacional de Luta Contra as Barragens e convocar os povos para que
se mobilizem nesta data.
Convencidos de que o trabalho feito se fortalece cada vez mais,
seguimos de pé propondo um modelo diferente, de mãos com os povos e os
bens da natureza.
Rios livres para povos livres!
Águas para Vida não para morte!
Participantes da:
Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, El
Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Paraguai, Panamá,
Uruguai. Povos originários e Nações Indígenas.
Convidados da: Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Itália, Japão.